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Nádia Bertini

A “Speed Racer” da TI, é tudo com ela!

Simpatia, simplicidade, alegria, praticidade, aliados à paciência e carinho, são alguns dos atributos que formam o perfil de Nádia Regina Scapin Bertini, Supervisora de Tecnologia da Informação do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola).

Sua formação inclui Tecnólogo em Processamento de Dados, Informática e Análise de Sistemas na Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos); Pós Graduação em Análise de Sistemas na PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul); e, vários cursos de extensão na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e na FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Nádia é a coringa da TI, sempre procurou se envolver em vários projetos, entre eles, participou da Implantação ISO 9000, Planejamento Estratégico (PE), Migração dos Sistemas de COBOL para o Banco de Dados Ingres.

“Eu queria ser cientista... eu estudava as teorias de Darwin.”, conta Nádia, lembrando de sua infância. No segundo grau, ela teve um professor de matemática que elogiava muito seu raciocínio lógico; ele aconselhou que ela fizesse o “Novo curso de Ciência da Computação.”.

Não teve dúvidas. Adorou a idéia e veio para o mundo da informática, onde, enquanto descobria as novidades, se encontrava totalmente: “Eu tinha nascido para aquilo.”, fala com seu sorriso alegre.

Ela costumava dizer para os colegas que tinham dificuldades com os algoritmos: “Se tu não passar por algoritmos, se não entender a lógica, desiste e vai para outra área.”.
Nádia atua na área há vinte anos, seu primeiro estágio foi na empresa onde está até hoje. Começou digitando as fichas de estudantes, logo que passou para o terceiro semestre da faculdade e aprendeu um pouco de COBOL, já se ofereceu para trabalhar na área de desenvolvimento, com programação.

Programadora, “programalista”, analista de sistemas, administradora de banco de dados; Nádia percorreu toda a trajetória “tradicional”, mas sempre adorou programar, “A lógica de programar, mostrar para o usuário, ver a cara dele de feliz, que era isso que ele queria...”, diz com um brilho em seus olhos.

Coordenou a equipe de desenvolvimento, foi analista de negócios e agora é supervisora, ela sempre atuou na área de desenvolvimento: “Como a equipe era pequena, a gente fazia um pouco de tudo, mas sempre o meu foco foi mais em desenvolvimento de sistemas.”.

Nádia está sempre em busca de novas soluções para agregar ao negócio de sua empresa, atua com gestão de fornecedores, está sempre atenta às novas tecnologias e novidades do mercado.

Dicas para chegar lá

“O principal é a pessoa identificar o que gosta, se tu gostas daquilo, e para mim, para gostar tu tens que ter feito pelo menos uma vez. Desta forma eu sei como fazer e sei como pedir.”, começa pensativa, então, ela completa uma dica muito interessante: “Para poder orientar bem, é preciso saber fazer.”.

“Quem é da área de TI, além da parte técnica, tem que desenvolver mais o lado de relacionamento, porque isso é o essencial para trabalhar em equipe e na gestão de pessoas.”, aconselha Nádia.

“Meu Pai dizia: tem que trabalhar, não interessa no que. Eu evoluí os conceitos do meu Pai: tem que saber trabalhar, não interessa o que vai fazer.”, ela conclui com um comentário muito positivo e verdadeiro: “O conhecimento que tu tem ninguém te tira.”.

Sobre a presença da mulher no mercado de TI

Nádia percebe que a presença feminina é mais forte nas áreas de desenvolvimento, design e comercial do que nas áreas técnicas.

Para ela, é uma questão de perfil, cita o que seu chefe costuma falar: “A mulher é polvo e o homem é cobra.”, baseado na teoria do Dr. Içami Tiba, onde o homem foca em apenas uma coisa e a mulher tem a capacidade de ser “multitarefa” ou “multifoco”.

“Se um homem vai atender o telefone e está assistindo TV, ele baixa o volume porque não consegue prestar atenção em duas coisas; já a mulher, está ao telefone, faz comida, fala com o filho, tudo ao mesmo tempo; o Dr. Içami Tiba diz que isso é característica feminina.”, ela comenta.

Para Nádia, a mulher exerce um papel especial na TI principalmente na questão de relacionamentos: “Os homens são mais frios, a mulher consegue dar um ar mais familiar para as coisas... Todo mundo tem problemas, às vezes tu só escuta a pessoa e eles dizem ai tu resolveu o meu problema, na verdade a pessoa estava precisando dizer para alguém o que estava lhe incomodando.”.

Competência, sorte ou "QI"?

“Quem indica pode até funcionar para abrir as portas, mas se tu não tiveres competência, não vai... Para mim, adquirir competência é o mais importante.”, enfatiza.

Nádia considera importante ter um bom networking: “As pessoas vão te reconhecer pelo trabalho que tu desenvolveste, não por ser amigo ou por ser filho do fulano, mas pelo resultado que tu apresentaste.”. “A minha sogra sempre dizia cavalo encilhado não passa duas vezes, tu tem que estar pronto para aproveitar as oportunidades.”, diz ela.

“Tu atrai as coisas, é muito mais do que sorte por si só na palavra, tu busca as coisas boas pra ti no momento que tu tiveres sintonizado com aquilo; existem muito mais coisas que nos influenciam no universo do que sorte.”, pondera.

Feminismo X Machismo

“Sou equilibrada, mas eu defendo muito as mulheres porque acho que ainda existe muita discriminação... a mulher é criada para ser submissa.”, reflete.

Acredita que a discriminação é muito forte aqui no Rio Grande do Sul por vivermos em uma sociedade onde uma das características do gaúcho é ser machista, “Principalmente nos cargos de chefia...”, comenta com seriedade.

Preconceito, Remuneração Diferenciada e Assédio

Nádia considera que existem alguns fatores pelos quais as mulheres são tratadas de maneira diferente, os homens têm dificuldade de compreender a maternidade da mesma forma que as mulheres: “Se o filho está doente, o homem vem trabalhar e nem pensa no assunto, a mulher é que deixa de ir trabalhar...”.

Em 2008, foi selecionada para participar de uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Todos os meses, a pessoa que a visitava exibia os resultados da pesquisa, ela conta:

“Em todas as estatísticas a mulher ganhava menos que o homem, em todas as funções, e ainda se fosse negra menos ainda. Ela tinha dados por faixa etária, por sexo e cor. Comprovando que ainda temos diferenciação entre homens e mulheres em vários aspectos.”.

Sobre assédio, Nádia acredita que existem vários comportamentos inoportunos, que podem ser considerados assédio: “Temos que estar sempre atentos e convictos dos nossos valores.”.

Vida profissional X Vida Pessoal

“É difícil, mas não é impossível.”, respondeu ela com um gracejo, quando lhe perguntei se era difícil conciliar a vida profissional com a pessoal.

Nádia conta com o apoio do marido, principalmente em relação à sua filha: “Nós nos organizamos e ela sempre foi para a escolinha só um turno, ela nunca ficou sozinha.”.

“Não sei se todas as mães são assim, mas eu sou neurótica, acho que tem que estar tudo no controle.”, confessa que sua prioridade é o bem estar de sua filha, ela é a típica Mãe Coruja.

Os colegas de trabalho a chamam de “Mãe Nádia”, porque ela sempre cuida de todos. Quando estudava na Unisinos, morava em um pensionato de freiras, e seu namorado, hoje marido, brincava que ela era a “Irmã Dulce”, pois todo dia, lá estava Nádia a dar conselhos para uma, das setenta meninas que moravam com ela.

Síndica do condomínio onde mora, brinca que nos últimos dois anos está fazendo “doutorado em gestão de pessoas.”, devido às situações que já experienciou: “Estou aprendendo muitas coisas.”.

“Isso é uma característica minha, eu tenho que estar sempre ocupada, quanto mais coisas eu tenho para fazer, mais organizada eu sou; se tenho muito tempo e menos coisas pra fazer, ah... depois eu faço...”, admite que já foi mais viciada em trabalho.

Nádia tem uma pequena agenda, que está sempre ao seu lado, onde anota recados para ela mesma. Revela que estava escrevendo sobre os papéis que atua: mãe, esposa, pessoa e profissional: “Eu quero encontrar a serenidade – como pessoa – de tu poderes dizer: estou bem, estou aqui... sem estar preocupada com o amanhã...”.

“Listar prós e contras, pontos positivos e negativos; isso é uma coisa que adotei, faço listas, coisas para mim como pessoa, como profissional, coisas que quero fazer, eu anoto... vou anotando em tópicos e às vezes abro lei e vejo bah isso aqui eu não fiz, ai volto e tento achar alguma coisa para encaixar...”, divide seu tesouro.

Anotar, listar e, mais tarde, ler o que anotou; isso é precioso demais! Ela cita uma das belas e sábias frases que tem em sua agenda: “Tudo posso naquele que me fortalece.”. É dessa forma que ela busca forças para estar sempre sorrindo e semeando alegrias ao seu redor.

“Tu vai construindo; têm fases que tu está mais realizada, tu estás no auge, que tu gosta e diz ah, fiz isso, consegui; era o desafio e têm fases que é mais estável, eu ainda tenho que aprender a curtir as pequenas vitórias.”, declara com seriedade.

Para ela é muito importante valorizar as conquistas; analisa que, muitas vezes, as pessoas se esquecem de observar seus objetivos alcançados e só pensam em seus desejos: “Às vezes a gente não dá valor para as coisas... estou realizada, eu tenho um monte de coisa feita, não passei o livro em branco, já fiz um monte de coisas, agora é outra fase.”.

Relaxa ouvindo música, ela e a filha vão a todos os shows do marido, que é músico, lá ela desliga totalmente: “Ah... tu vai ouvindo e vai assim... a música vai entrando e tu vai assim... a música tem o poder de transformar a pessoa.”.

Nos finais de semana ela e a filha caminham, andam de bicicleta, cada uma com seu MP3 e suas músicas favoritas; Nádia adora curtir uma boa canção italiana, é fã da Laura Pausini.

Pretende voltar a fazer pilates: “É uma atividade que tu tem que controlar a respiração, contar, se concentrar, tem todo um regramento, que te faz desligar a mente.”.

Realizações e Desafios

“Eu queria casar, ter filho, viajar para Itália, comprar apartamento, me formar, ter um bom emprego... são coisas que já fiz.”, fala com alegria sobre suas realizações.

Pretende um dia, morar fora do País e viver uma experiência em outra cultura; acredita que é importante para o crescimento pessoal.

Seus maiores desafios são nas questões de relacionamento: “É o mais difícil. Na área técnica se tu não sabes como fazer, tu encontras quem faz. Agora essa parte de fazer com que os outros entendam a TI... A própria TI se discrimina. Observa: quando tu vai te apresentar para alguém tu já diz ah, eu sou de TI, mas ninguém diz eu sou da administração eu sou da contabilidade... tu já está te desculpando de alguma coisa...”.

Nádia é movida a desafios, quando surge algum projeto mais complexo fica ávida para participar, planejar, detalhar e alcançar os resultados.

Planos e Perspectivas para o Futuro

Busca encontrar seu ponto de equilíbrio e serenidade; também planeja voltar a estudar e no futuro escrever um livro: “Um dos meus desafios é escrever um livro, não sei nem se de TI, mas de alguma coisa; eu sinto a necessidade de escrever.”.

Mensagem para os leitores

Escolhas, conhecimento, aproveitar oportunidades e valorizar conquistas; Nádia fala sobre coisas simples e essenciais:

- “Nós somos resultado de nossas escolhas...”.

- “Eu quero aproveitar o que já tenho!”.

- “De tudo que tu fizeres: o conhecimento que tu adquirir, é o que tu tens para levar...”.

Por vezes não nos damos conta de tudo o que já realizamos, Nádia está coberta de razão.

Faço um convite a todos os leitores, vamos refletir sobre nossas conquistas e realizações; mesmo as pequenas, como terminar uma graduação ou um MBA.

Não são bons exemplos? É verdade. Muitos, não têm esse sucesso.

Vamos refletir?

Algumas Fotos

As meninas. O casal. A família. Família. Muitas cores. Casal. Princesa. Friozinho. Onde será? Amor. Filha. Irmãos. Olha quem está com a Nádia. Irmãs. Equipe CIEE. Alegria. Confraria. Filha. Turma. Filha. Filha. Nadia. Nádia Bertini. Que lugar é esse? Chefe. Esperando. Irmãs. Convite. Formatura. Quem é a Nádia? Nádia. Festa. Casamento. Filha. Casal. Festa.

 



Copyright © Judith Riboni 2009