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Maristela Boeira
Organização, persistência e justiça.
Foco, organização, persistência, senso de justiça e, principalmente, acreditar em seu potencial, são as características mais marcantes de Maristela Boeira, Gerente Executiva da Sucesu-RS (Associação dos Usuários de Informática e Telecomunicações do Rio Grande do Sul).
Graduada em Publicidade e Propaganda pela Unisinos, fez especialização em Marketing.
Maristela escolheu a área da TI por consequência natural de sua atividade profissional; iniciou sua carreira em uma empresa que atendia diversos segmentos, a partir do aprendizado obtido, decidiu trabalhar em uma indústria de TI, já como Gerente de Marketing.
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Atua na área da tecnologia há nove anos; e, a empresa onde está inserida atualmente, é uma Entidade Representativa de Classe. Maristela possui inúmeras responsabilidades, uma delas é representar a Entidade onde for necessário.
“Faço toda a gestão da empresa, desde pessoal até a parte econômica e atuo fortemente na área dos projetos, que são basicamente eventos voltados para os profissionais da área de TI, usuários coorporativos de setores de TI, de quaisquer empresas.”, ela explica com objetividade.
Maristela é responsável por gerenciar a organização dos eventos realizados pela Entidade, desde a prospecção de patrocinadores, elaboração de brindes, escolha do local adequado para cada tipo de atividade, convites, inscrições, entre outras incontáveis tarefas que envolvem a organização de um evento.
Dicas para chegar lá
“Precisa ter muita persistência, tem que ser muito focada e muito organizada; tem que ter uma visão bem ampla do negócio e, principalmente, você precisa ser uma pessoa que não tenha medo do trabalho, seja ele qual for.”, aconselha.
Para ela, não ter medo do trabalho ou vaidade, em escolher atividades, é a chave para aprender sobre tudo e enriquecer profissionalmente, “Para mim funcionou, espero que ajude outras pessoas também.”, conclui com simpatia.
Sobre a SUCESU-RS e o GUCIO-RS
Maristela conta que a SUCESU-RS completou quarenta anos, ano passado; e, surgiu no Rio de Janeiro através de uma iniciativa de usuários de TI de empresas de grande porte que, na época, importavam softwares que não existiam aqui no Brasil.
As empresas fornecedoras não ofereciam suporte técnico, então as empresas brasileiras sofriam muito quando surgiam problemas; resolveram se unir para buscar soluções junto aos fornecedores, “Desde então a base dela tem sido essa, ser um elo de conversação, de dialogo com fornecedores.”, diz.
“Com isso ela estimula muito a questão de grupos de usuários, que justamente discutem as tecnologias vigentes, a sua aplicabilidade, e até oferecem alternativas, que melhore e lhes favoreçam junto aos fornecedores... agimos como um elo de aproximação entre fornecedores e usuário de TI.”, conclui.
A diretoria muda a cada dois anos, através de eleições; a equipe que trabalha na sede é composta por cinco profissionais, sendo um único homem, e o cargo de Maristela, sempre foi ocupado por mulheres.
“A professora Liane Tarouco foi uma pessoa muito importante no surgimento da SUCESU-RS.”, fala Maristela com muito respeito e admiração, enquanto comenta que a mulher sempre esteve presente, desde sua fundação.
Para ela, o grande benefício que a Entidade oferece, através dos eventos, é a abertura de espaço, que gera uma aproximação, para que fornecedores e usuários possam conversar de maneira franca e igualitária.
“Onde o fornecedor ouve o usuário, suas necessidades, suas percepções sobre as soluções que o fornecedor está apresentando, a aplicação e o resultado que ela trouxe e onde precisa ser melhorado.”, conclui com tranquilidade.
“O GUCIO-RS é independente, não é vinculado diretamente à SUCESU-RS. Temos várias ações em parceria, mas ambos têm atividades distintas... trocamos muitas figurinhas, muitas vezes eles nos pedem ajuda em uma coisa, nós pedimos em outra... eles participam em eventos onde requer a presença de um painelista que seja um CIO... muitos membros do GUCIO fazem parte da nossa Diretoria.”, ela esclarece uma dúvida frequente da área da tecnologia.
Maristela faz um convite especial: “Eu convido gestores de pequenas e médias empresas que estão ingressando agora, que estão montando sua área de TI, que estão se dando conta que isso favorece a economia e o crescimento da própria empresa... esses profissionais sofrem bastante no início, porque não sabem o que é melhor, qual a melhor solução... busquem a SUCESU, se aproximem e aprendam com esses grandes profissionais que estão aqui dentro, como é que se faz, para que amanhã, eles possam ser também, grandes empresas. Se a SUCESU puder contribuir com isso será muito bom, todos serão bem vindos.”.
Sobre a presença da mulher no mercado de TI
Maristela percebe que a presença feminina tem aumentado nos últimos anos e se preocupa com dados levantados no ano passado, “Menos mulheres estão se inscrevendo para cursos de formação na área de TI. Isso me preocupa, porque é um setor em franco crescimento e qualquer mulher é capaz, como qualquer homem é capaz de atuar nessa área.”, fala muito séria.
Para ela, é uma questão de perfil, a mulher se volta mais para as áreas humanas por ser mais emocional, “Eu acredito que a mulher sabendo ajustar seus sentimentos, seus comportamentos sua visão do mundo ela atuará perfeitamente na área de TI. Assim como homens tem se envolvido bastante em áreas de humanas que antes era de mulheres, e estão se dando muito bem também.
“A TI vive de inovação, o profissional de TI, seja homem ou mulher, tem que estar com a mente muito aberta, pronto para inovações porque elas acontecem toda a hora.”, conclui com sabedoria.
Competência, sorte ou "QI"?
“Eu não acredito em sorte. Sorte é uma palavra que talvez resuma várias situações que trazem um resultado positivo na tua vida... você tem que ter muita vontade, ter um projeto, correr atrás para realizar... e tem que ter muita competência para atingir aquele resultado.”, diz.
Maristela acredita em QI, acha fundamental o bom relacionamento entre pessoas, “Essas pessoas inevitavelmente vão te abrir portas. Só que eu acho que é um compromisso muito grande você entrar em uma empresa por QI. Porque além de você mostrar a tua competência para se manter naquele emprego, você ainda tem que prestar contas para a pessoa que te indicou... tu pode até perder esse amigo depois, se você não for uma pessoa capaz.”, diz.
“Hoje o mais tranquilo é você entrar em uma empresa por competência, que ai você não corre o risco de perder o amigo.”, conclui bem humorada.
Feminismo X Machismo
“Eu sou justiceira.”, fala alegremente, “Temos que ser justos. Eu não gosto de preconceito, feminismo gera preconceito e machismo, gera também, preconceito e acaba gerando injustiças com as pessoas.”, completa com seriedade, “Então eu sou justiceira!”, conclui com uma boa e divertida risada.
Preconceito, Remuneração Diferenciada e Assédio
Maristela percebe que o preconceito ainda existe “como um todo”, não somente na área da tecnologia.
Já sofreu com preconceito fora do Brasil, em um País que tem uma essência machista, “A situação onde o diretor da empresa não quis fazer reunião comigo porque eu era mulher... bem chato isso, mas ainda bem que já faz bastante tempo e não foi no Brasil.”, conta.
“Os profissionais da TI, independente dos seus cargos, são pessoas muito simples, te tratam muito como igual... são de muito fácil convívio, simples, são bastante sinceros e te reconhecem dentro da tua especialidade, não te menosprezam por você não entender daquela tecnologia que eles estão desenvolvendo.”, observa Maristela.
Vida profissional X Vida Pessoal
“Acredito que em todos os setores seja bastante complicado, mas para quem atua com eventos, é muito difícil... a nossa atividade é quando o profissional não está em atividade profissional... quando todo mundo está descansando, nós estamos trabalhando... ai isso complica muito tua vida pessoal.”, comenta.
Maristela não nega que é um pouco viciada em trabalho, trabalha em média dez horas por dia, mas nos fins de semana, sua dedicação é exclusiva para o marido.
“Hoje, com meu estado de espírito, com minha experiência de vida, com ouros valores que fui agregando à minha vida, eu me sinto uma pessoa realizada profissionalmente.”, fala serenamente.
Para relaxar, ela gosta de ler, bordar, pintar, gosta muito de trabalhos manuais. Adora viajar, ela e o marido viajam muito, “Viajar é a melhor coisa do mundo, são coisas que ninguém te tira e não há o que você possa pagar por isso, é um negócio que fica contigo pra sempre.”, fala com entusiasmo.
Realizações e Desafios
“Um dos sonhos que sempre quis: ter uma atividade de liderança, então esse já realizei faz tempo, graças à Deus eu consigo atuar assim em áreas que eu possa tomar as decisões e não apenas aceitar as decisões.”, confessa.
“Sempre tive o sonho de conhecer a Floresta Negra na Alemanha, sempre sonhei, achava lindo demais... eu tinha convicção que um dia eu iria, já fui duas vezes, por isso eu digo: se você persistir, você consegue.”, conta feliz.
Um sonho que ainda não se realizou, é ser dona de seu próprio negócio, ela está avaliando, ainda não decidiu o que será, “Assumir todas as responsabilidades e todas as decisões, sejam boas ou más, esse é o meu sonho ainda.”, conclui sorrindo.
O desafio que mais chama a atenção de Maristela é conseguir realizar alguma coisa impossível, totalmente fora de alcance, “Que em princípio nem dependa de ti, mas que com a sua interferência, aproximando as pessoas certas, e negociando de forma adequada, aquele objetivo é alcançado”, revela.
Planos e Perspectivas para o Futuro
“Ter meu próprio negócio, minha meta hoje é identificar, o que eu quero fazer, daqui há dez anos e será o que eu farei até o resto da minha vida. Então eu tenho dez anos para identificar o negócio e me preparar para essa nova fase da minha vida.”, conta com entusiasmo e a certeza que realizará.
Mensagem para os leitores
“Continuem..., pessoas simples, sem preconceito, com mente aberta, que valorizam as mulheres de uma forma igualitária.”, diz aos homens.
“E às mulheres, as poucas que ousam atuar na área da TI que estimulem também outras a participar, porque é um setor muito rico, eu não consigo mais ver o mundo sem TI e eu acho que esse conhecimento vai auxiliar a mulher a atuar em qualquer párea, em qualquer segmento... não tem mais como nós nos excluirmos disso. Todos somos capazes, não é o fato de nós não sermos homens que nós não vamos conseguir também atuar na área de TI.”, completa para as mulheres.
“É isso que quero deixar registrado, que os homens continuem assim e que as mulheres venham participar mais.”, conclui sorrindo.
Algumas Fotos
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