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Gilda Bettoni Zimermann

Bom humor, dinamismo e competência.

Alegria, alto astral, dinamismo, energia pura e competência, são algumas características que compõe o perfil de Gilda Bettoni Zimermann, que em 2001, se aposentou como Diretora de Informática do SENAC-RS.

Sua formação é em Administração de Empresas com ênfase em Análise de Sistemas, depois fez algumas Pós Graduações.

Gilda foi escolhia pela área tecnológica, ela sempre foi muito "ligada" às novidades, e o que aconteceu foi natural, era formada em Administração quando estava iniciando sua carreira, "Houve uma verdadeira explosão com relação ao acesso e manuseio da informação. Não perdi tempo, tratei de estudar, me informar e logo passei a dominar a área. Consequência lógica: Fui convidada a implantar a nova área na empresa. Apaixonei-me e fiquei.", diz Gilda com seu entusiasmo característico.
Atuou na área da TI desde que assumiu o cargo de Diretora em 1985, até sua aposentadoria. Iniciou seu trabalho em Caxias do Sul, quando mudou para Porto Alegre, foi instrutora, auxiliar administrativo e foi crescendo, graças a muito estudo, trabalho e dedicação.

"A responsabilidade e exigências para o cargo são grandes. Você tem que se manter em dia com todas as inovações tecnológicas. Tem que ter muito bom senso, ser psicólogo, vendedor, político (no bom sentido). Não basta somente ser técnico, um cargo de gerência é muito mais abrangente.", diz ela sobre seu último cargo.

Dicas para chegar lá

"Você tem que ser elástico. Conhecer muito bem a empresa como num todo e não esquecer os objetivos da mesma. Estar constantemente ligado aos acontecimentos, mudanças tecnológicas, econômicas, etc.. Dominar o conhecimento, ter muita capacidade de aprender, se adaptar e não se esquecer de sempre ter muito bom senso. Os detalhes fazem toda a diferença, a frase Não tem importância, isso são só detalhes, em minha opinião é totalmente falsa. Imprima sua cara, faca a diferença.", fala com determinação.

Seu conselho é direto: "Dica: Dedicação total e diferença nos detalhes.".

Sobre a presença da mulher no mercado de TI

Gilda conta que quando iniciou sua carreira, as pessoas a olhavam como se ela fosse um ET. Durante a faculdade, eram apenas duas mulheres, "Na época as mulheres eram educadas para casar, ter filhos e cuidar muito bem da sua casa, no máximo ser professora primária. Hoje as coisas mudaram um pouco, mas acho que as mulheres ainda têm muito chão para conquistar.", comenta bem humorada.

Depois da aposentadoria, ela e seu marido, foram morar na Alemanha, onde seus dois filhos estavam estabelecidos, não atua mais na área, mas lembra bem da época em que trabalhava: "Nós mulheres, conseguimos conciliar numa boa e ainda com satisfação e amor, o trabalho, o terceiro e, muitas vezes, o quarto turno; filhos, casa, marido... Mas acho que os homens estão aprendendo a compartilhar cada vez mais tarefas. Estamos todos evoluindo.".

"Aqui na Europa, principalmente Alemanha, as mulheres são muito independentes, sabem o que querem e estão assumindo cada vez mais cargos importantes.", comenta.

Gilda percebe que em todas as áreas a presença masculina é predominante, para ela, é uma questão cultural, "Não se muda uma cultura da noite para o dia. Tem que dar tempo ao tempo. Principalmente tem que dar tempo aos homens para aprenderem a trocar as fraldas dos bebês, para eles a tarefa é para lá de complicada.", fala em meio a uma contagiante risada.

Para ela, a mulher exerce um papel especial na TI por ser mais detalhista, cuidadosa, além de ter uma visão mais panorâmica: "Penso que ela faz a diferença na área. Homens e mulheres são diferentes por natureza. Acho que os dois se completam e estão evoluindo para que a vida possa realmente ser compartilhada com muito amor. Não vejo porque um dos sexos deva dominar o outro.".

Competência, sorte ou "QI"?

"Infelizmente existem muitas pessoas com um bom QI, ganhando gordos salários e fazendo nada além de atrapalhar. Durante minha vida profissional tive que conviver com isso apesar de muitas vezes ficar revoltada. Mas, as empresas sempre vão precisar de pessoas competentes para fazer o trabalho, portanto se não tens um bom QI (que é frágil, se teu padrinho cai, tu cais junto) seja competente que a sorte vem. Contei somente com meu próprio QI, minha competência, nunca tive QI (padrinho).", diz com firmeza.

Feminismo X Machismo

"Diminuiu muito, mas ainda temos alguns (muitos) sobreviventes da era machista.", fala.

Preconceito, Remuneração Diferenciada e Assédio

Sofreu com preconceito quando foi nomeada Diretora, a palavra não existia na descrição dos cargos da empresa, "Fui nomeada DiretOR e só então os documentos foram alterados. Alguns dos demais Diretores não aceitavam nem sequer ouvir minha opinião. Foi preciso muita calma, classe e competência para realmente assumir meu lugar.", conta em um misto de mágoa com os colegas e felicidade por ter dado a volta por cima.

Para Gilda, a remuneração diferenciada talvez ainda aconteça em pequenas empresas, ela entende que a maioria das empresas existe um plano salarial definido.

Sobre assédio ela deixa um conselho: "É uma situação difícil de lidar. Ter uma postura que não de margem a estas situações é o melhor.".

Vida profissional X Vida Pessoal

Gilda não considerava difícil, mas sim, um pouco trabalhoso, conciliar sua vida profissional e pessoal: "Se você faz o que gosta e ama sua família, as tarefas ficam prazerosas, tudo fica fácil.".

Ela ocupava e dividia bem seu tempo, "Tinha um cargo que me absorvia muitas horas e dois filhos pequenos. Mas, sempre consegui conciliar, nunca abri mão de minha vida pessoal, principalmente do convívio com os meus filhos.", lembra.

Ela trabalhava entre oito e quatorze horas por dia e brinca "É muito? Às vezes era sim!".

Mesmo aposentada, não parou de trabalhar, considera-se um pouco viciada e completamente realizada, "Acho que não vou parar nunca, hoje não trabalho mais na área, mas também me realizo com o que faço. O trabalho tem que te trazer satisfação do contrário passa a ser um castigo.", completa.

"Sou casada pela segunda vez com uma pessoa sensacional que amo muito. Fiquei viúva muito jovem, quando meus filhos ainda eram pequenos. Tenho dois filhos maravilhosos, duas noras lindas e uma neta que é uma princesa.", conta orgulhosa.

Gilda adora brincar com sua netinha, ler, ouvir música, fazer uma boa caminhada, "Ou simplesmente curto uma preguiça e fico de pernas para o ar.", confessa tranquila.

"Na Europa, apesar do clima frio, existe uma cultura com relação a caminhadas ao ar livre. Relativamente perto de minha casa, tem um castelo, no topo do morro. Adoro fazer esta caminhada pela trilha no meio do mato. Quando vou com minha neta, ela tem 5 anos, fazemos um picnic no meio do caminho, é muito bom. Morar na Alemanha te permite algumas coisas que no Brasil são muito perigosas, onde moro, (uma cidade pequena no interior) é muito bonito e a segurança é quase que total.", conta.

Gilda pratica arco e fecha: "Bogenschießen em alemão; passei a praticar este esporte após sofrer uma cirurgia, de grande porte, em minha coluna. Como parte dos vários exercícios para a recuperação total de meus movimentos, eu tive aulas, gostei muito e continuei. Não gosto de academias, prefiro exercícios ao ar livre. Também sou marinheira, adoro velejar.".

"A vida profissional me dá muita satisfação, mas, sem dúvida, a realização pessoal é mais prazerosa. Só que acho que as duas se completam e, de certa forma, dependem uma da outra. A pessoa é um todo, não existe compartimentos separados.", fala com sabedoria.

Realizações e Desafios

Ela já realizou vários sonhos, morar na Europa é um deles. "Sou meio inquieta. Gosto de coisas novas e, se tiver algum desafio melhor ainda. Estou sempre bolando alguma coisa.", confessa.

Gilda foi muito direta ao responder sobre quais desafios chamavam mais sua atenção: "Os mais difíceis.".

Planos e Perspectivas para o Futuro

"Não gosto muito de fazer planos a longo prazo. Talvez estude um pouco mais e escreva um livro.", diz Gilda tranquila.

Mensagem para os leitores

"Tenho uma irmã que sempre fala que a experiência é algo individual, só serve para ti mesmo, quando queres passar para outros, ou eles não acreditam ou não aceitam.", conta.

"Mas, como experiência individual, eu diria que o importante na vida é procurar sempre a felicidade, sem medo de mudar. Às vezes, por causa de dinheiro ou poder, ou medo mesmo, as pessoas perdem anos de suas vidas fazendo o que não gostam. Não tenha medo, ser for necessário, mude as coisas logo se ajeitam. Muitas vezes os problemas parecem sem solução e passados alguns dias o cenário já é outro. Manter-se na proa da embarcação, olhando sempre para frente, é a melhor solução.", completa com carinho.

Sábio conselho de Gilda, não ter medo de mudar, procurar fazer o que se gosta e ter tranquilidade para poder encontrar as melhores soluções.

Ela é sem dúvida, um bom exemplo para todos que a conhecem.

Algumas Fotos

Gilda, alegria de viver. Amsterdam. Natal em família. Onde será? Família amada. O que ela está comento? Verão? Compras... Quem conhece esse lugar? Trabalho pesado! Passeio. Que lindo. Preciso do carro... Vamos velejar? Que frio...

 



Copyright © Judith Riboni 2009