Sobre a Coluna    Matérias    Contos    Contato   

Edimara Luciano

Sensibilidade, dinamismo e seriedade.

Sensibilidade, criatividade, dinamismo e seriedade, são alguns dos atributos de Edimara Mezzomo Luciano, professora da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul).

Graduada em Ciência da Computação pela UPF (Universidade de Passo Fundo), Mestrado e Doutorado em Sistemas de Informação e Apoio a Decisão na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), “Uma área de pesquisas da UFRGS que estuda o “I” do TI.”, esclarece.

Edimara queria fazer Psicologia, mas gostava muito de computação, sempre muito curiosa, característica de alguém que está intimamente relacionado com o ensino, decidiu-se pela área e logo começou sua carreira.

“Eu sempre tive uma relação relativamente forte com o ensino, tanto que eu abri uma empresa, quando eu era bastante jovem, para ensinar, com o surgimento de todo o pacote Windows.”, conta com simplicidade.
“O conhecimento técnico ajuda muito a entender os fenômenos mais da Gestão da TI, digamos que eu comecei mais no T e acabei caindo mais no I, e onde pretendo ficar, adoro a minha área.”.

Atua na área há quinze anos, começou como estagiária, teve sua empresa de treinamentos e está na PUCRS há dez anos “Em termos de disciplina... desde que entrei aqui, já entrei para atuar no curso de Analise de Sistemas, que ele tinha uma ênfase mais técnica.”, conta feliz.

Começou como professora de algumas disciplinas, exerceu algumas funções administrativas, todas vinculadas com a TI, a primeira delas foi como Coordenadora do Laboratório de Informática, que ocupa metade do nono andar do prédio cinquenta.

“São em torno de trezentos computadores; quinhentas pessoas diferentes utilizando ao dia, entre professores e alunos de toda a PUCRS; é claro que tem toda uma equipe para as questões mais técnicas, mas dentro da TI, tem um lado T e um lado I; eu bato muito nessa tecla com meus alunos, porque eu vejo que tem muitas pessoas que acham que Informática é sinônimo de TI, quando isso não é verdade, porque TI envolve, além das questões técnicas, as questões culturais, comportamentais, de gestão, de processos.”, explica com sabedoria.

Edimara atuou como Coordenadora de Negócios em um Centro de Inovação, “Uma parceria entre a PUC e a Microsoft, desenvolvendo produtos específicos de capacitação, de provas de conceito para empresas parceiras e clientes do Centro de Inovação.”, conta.

Atualmente, é professora de algumas disciplinas do curso de Graduação de Gestão de Tecnologia da Informação; e, no Mestrado, na linha de pesquisa de Administração da Informação. Atua em uma função administrativa na Pró Reitoria de Pesquisa e Pós Graduação, “Uma das minhas principais atividades é fazer a interface entre a Pró Reitoria e o setor de desenvolvimento, fazendo a tradução entre o que é preciso gerenciar via sistema e o que é necessário em termos de funcionalidade.”, diz.

“Tenho atuação na graduação, na especialização e o mestrado, todos na área de gestão, trabalhando mais com adoção de TI, a questão de governança, o lado de interface entre sistema ou tecnologia que está sendo adotada e os objetivos da organização; na graduação a minha disciplina é Gestão de Serviços de TI; na especialização é Gestão de Processos, Alinhamento Estratégico, e a parte mais de Arquitetura para fazer um link com Governança que é a disciplina no mestrado.”, conta com um brilho em seus olhos.

Além disso, Edimara orienta alunos de graduação, de mestrado e de especialização, considera fundamental ter paciência e sensibilidade para entender o que o aluno e os colegas estão sentindo, para poder atuar de forma mais adequada a cada situação.

“Eu observo muito expressões faciais, às vezes eu pergunto: Todo mundo entendeu? Alguma dúvida? Todo mundo fica quieto, mas eu vejo que tem alguns que tão com a expressão facial que diz exatamente o contrario, ai, mesmo que eles digam que entenderam, eu explico de novo, porque eu observo...”, ela fala com entusiasmo.

Dicas para chegar lá

Para Edimara o principal é: “Gostar de gente e de todas as interações que pessoas trazem, elas vão te questionar, vão te apertar e tu tens que ver isso como uma possibilidade de crescimento, eu vejo assim.”

Adora sua profissão por permitir estar em constante aprendizado, “Ficar feliz com o questionamento dos alunos, e dos próprios colegas, vejo isso como uma possibilidade de me desenvolver.”, aconselha sorridente.

Sobre a presença da mulher no mercado de TI

Edimara percebe que a presença feminina já passa despercebida, homens e mulheres aprenderam a trabalhar juntos. Quando começou a dar aulas na Universidade, o equilíbrio entre os sexos era maior, atualmente, o curso de Análise de Sistemas é mais procurado por homens, já o de Gestão de TI, a procura é bem dividida entre homens e mulheres.

Edimara pensa que as mulheres se afastaram um pouco da área técnica pelo maior investimento no “T” do que no “I” da TI. Considera que é uma questão cultural e antropológica: “Os meninos brincavam de desmontar carrinhos, que os levou a procurar mais áreas técnicas, enquanto as meninas brincavam de ajudar a Mãe na cozinha.”.

Em sua opinião, isso está mudando, as crianças de hoje brincam de jogar futebol e, na hora das tarefas de casa, meninos e meninas ajudam a lavar e secar louças; e, no futuro, não existirá diferença alguma, em qualquer que seja a área.

Para ela o maior valor está na troca: “A mulher tem esse componente sensibilidade, leitura de ambiente, embora tenha vários homens que fazem isso de forma brilhante... pensar sistemicamente, enxergar o que está por trás... um sistema nunca é só um sistema, ele mexe com a forma como a pessoa trabalha.”.

Competência, sorte ou "QI"?

Edimara acredita na competência do profissional, mesmo que seja necessário esperar algum tempo para alcançar seus objetivos, ela é firme em seu ponto de vista: “da leitura do ambiente... às vezes não é hora para insistir em uma promoção.”.

Sobre QI, ela considera uma questão controversa, acredita que ter bons relacionamentos com as pessoas também é competência, “Competência é, inclusive, saber a hora de investir em alguma coisa e a hora de esperar.”, completa sabiamente.

Feminismo X Machismo

“São rótulos difíceis de aplicar, embora a gente vê algumas manifestações muito machistas de mulheres... eu acredito na igualdade de possibilidades, embora tem algumas características pessoais e não do gênero que nos tornam mais ou menos hábeis para uma determinada tarefa.”.

Edimara acredita que a riqueza está na diversidade, uma equipe formada pessoas de sexos diferentes são mais desafiadoras e produtivas; para ela, idéias contraditórias também ajudam no crescimento do time.

Preconceito, Remuneração Diferenciada e Assédio

Preconceito? Nunca sofreu por ser mulher, mas sim pela idade. Aos dezenove anos já tinha sua própria empresa, onde ministrava aulas para outras empresas, onde os alunos eram muito mais velhos e precisavam aprender a usar o computador, mesmo não concordando com isso.

Ela considera importante saber se posicionar em relação à atitude das pessoas; tentando compreender o que o outro está sentindo, independente se a questão for o sexo ou a idade. Desde o início de sua carreira ela costuma fazer uma leitura do ambiente, até mesmo para não ofender as pessoas.

“A mulher tem que se comportar como profissional, não dá para numa hora querer prioridade porque é mulher e, em outra, querer discutir de igual para igual; se tu queres que os homens te respeitem, tu tens que te colocar de igual pra igual sempre.”, diz com tranquilidade e confiança.

Sobre remuneração diferenciada, chama a atenção novamente para a questão cultural, onde muitas pessoas, independente do sexo, acreditam que o homem ainda é o responsável por prover o sustento da família, “Pensam que o homem é responsável por comprar o bolo e a mulher só precisa comprar a cerejinha.”, fala bem humorada.

Vida profissional X Vida Pessoal

Edimara é apaixonada pelo seu trabalho, se considera uma “worklovers”; passa muito tempo no seu ambiente profissional, está tentando melhorar nesse aspecto, mas considera muito difícil.

Já obteve seu primeiro sucesso: deixou de trabalhar de madrugada, agora sua meta é trabalhar apenas dois turnos e meio, vê isso como um desafio, devido às suas características pessoais.

Conta com o apoio do marido, em sua casa, as tarefas são divididas, como ela da aula à noite, ele vai ao supermercado, os dois são muito compreensivos com o trabalho um do outro.

Edimara é completamente realizada, vê a sala de aula como um ambiente de troca de energia, sente imensa satisfação ao ver o crescimento de seus alunos e, de poder influenciarem suas vidas: “Cada aluno tem o seu dez diferente, é importante compreender isso.”, confessa.

Ela tem três gatos, não os considera exatamente como filhos, mas acredita que eles ensinam lições semelhantes às que os filhos ensinam, “Tem que dar atenção, não interessa se chego em casa com fome, tenho que dar colo pros meus gatos... se passo três turnos fora, quando chego, eles estão muito carentes.”, conta que cada um têm necessidades diferentes.

Para relaxar, ela gosta de conversar com o marido, ouvir música, dar colo para os gatos, praticar pilates e andar de bicicleta aos domingos.

Realizações e Desafios

“Mestrado e Doutorado é a realização do primeiro grande sonho... dar aula na PUC e ter uma participação significativa o segundo... participar do programa Sinergia Digital, que já capacitou em torno de 700 pessoas...”, ela fala com carinho sobre cada projeto realizado.

Da mesma forma, confessa sobre um sonho que foi postergado devido a sua necessidade de realização profissional, esse será o maior deles, quando realizá-lo: a maternidade.

Edimara é motivada por desafios, e o maior deles foi participar da elaboração do programa Sinergia Digital, que visa a inclusão social de crianças, adolescentes e adultos em situação de vulnerabilidade, através da inclusão digital; o projeto envolve curso de informática e formação humana, com diversas atividades culturais, recreativas, esportivas e espirituais.

Planos e Perspectivas para o Futuro

“Pessoais, conseguir manter um melhor equilíbrio, trabalho e família e bebê, a ampliação da família. Profissionais, participar de mais eventos internacionais, ter uma atividade regular com outras universidades de fora... que me permita trazer novos conhecimentos para meus alunos.”, confessa.

Mensagem para os leitores

“Acreditar em nós mesmos, no nosso trabalho e procurar sempre ter um olhar positivo; é uma coisa que procuro aplicar na minha vida, às vezes com mais ou menos sucesso; trabalhar duro sem esperar nada em troca, alguns vão reconhecer mais, outros menos; trabalhar com uma realização profissional, estudar bastante, procurar sempre se manter informado, ouvir muito.”, reflete.

“Assumir as opiniões; percebo que muitas pessoas têm dificuldades de assumir uma opinião, e contrariar o outro, acho que temos que ter nossas opiniões, sustentá-las e claro, assumir quando estamos errados. As empresas precisam de pessoas que corram riscos, que sejam determinadas e tenham sensibilidade para reconhecer seus erros.”, aconselha.

Edimara acredita que é preciso ter sensibilidade para perceber a melhor forma de colocar sua opinião, sem ferir suscetibilidades, entendendo o outro.

“Doses iguais de determinação para ir atrás do que se quer e sensibilidade para reconhecer seus erros.”, resume seu conselho.

Tentar se colocar no lugar do outro para ver a situação sob outra perspectiva, é sem dúvida um bom conselho que Edimara nos deixa, cabe a cada um escolher segui-lo.

Algumas Fotos

Gatinhos. Edimara. Sinergia Digital. Neve. PUCRS. Seus dois amores. O casal. Trabalhando fora. Autógrafos. Paraninfa. Maridão. Edimara com Pipoca e Mingau. Edimara e Bibi. Gatinhos. Que lugar será esse? Volunários, Onde será? Edimara. Que frio... Será chuva? Onde ela está?

 



Copyright © Judith Riboni 2009