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Denise Fuchs-Beadle

Desafio realizado: Fazer parte do time Microsoft, na Califórnia.

Coragem, ousadia, profissionalismo e consciência, são algumas das características que formam o perfil da americana/gaúcha Denise Fuchs-Beadle, Engenheira de Support III no grupo SQL Server DWPU - SQL Server Data Warehouse Product Unit, da Microsoft, em Aliso Viejo, Califórnia, USA.

Denise fez sua graduação de Análise de Sistemas na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), em Florianópolis, é também Microsoft Certified Technology Specialist (MCTS).

Ela faz parte da equipe que está desenvolvendo um produto para SQL Server Data Warehouse, chamado Madison, a previsão de lançamento é 2010.

"No dia que fiz 17 anos de idade, passei no vestibular na PUC-RS para Administração de Empresas, achava que era o que eu queria. Bem o que uma menina de 17 anos sabe em nível de carreira? Eu mesma só queria ir pra praia pegar onda de bodyboard.", conta sorrindo de modo travesso.
Denise Fuchs-Beadle
Denise começou a faculdade e sentia que faltava algo, estudava assuntos que, do seu ponto de vista, não a ensinavam nada de prático, necessitava aprender algo que pudesse gerar um produto completo, do início ao fim.

"Nessa época, uma amiga da PUC me convidou pra entrar em um curso de programação COBOL (risos) que levaria 8 meses, entrei no curso com ela e desenvolvi uma aplicaçãozinha em COBOL e me achei, percebi que queria saber fazer algo mais concreto do que entender e administrar empresas. ", relata.

Atua na área há dezessete anos, "Em 1990 mudei para Florianópolis, onde conciliei a vida esportiva, perto da praia, e a faculdade de Análise de Sistemas. Comecei um estágio de programação em uma empresa de software local.", diz em um misto de surpresa e alegria ao se dar conta do tempo em que atua na área tecnológica.

Foi Programadora, Instrutora de Informática, Analista de Sistemas, Administradora de Rede, Analista de Suporte, Consultora Profissional de Serviços Técnicos, PSO Consulting e atualmente é Engenheira de Sistemas.

Denise faz parte do time que é responsável pelo ambiente técnico onde o software vai ser instalado. "Fazemos especificações técnicas e requisitos de sistema pra as aplicações funcionarem, trabalhando direto com os desenvolvedores.", começa a explicar o que exatamente faz o profissional que ocupa seu cargo.

"Eu particularmente sou da parte de virtualização, tudo que é feito nos servidores; sigo o design e tento aproximar o mais possível no ambiente virtual. Isso inclui ambientes extremamente complexos que acomodam SQL Server, Data Warehouse e High Availability Servers.", diz.

"Só uso tecnologia de ponta, produtos e algumas tecnologias que não estão no mercado ainda, o que faz das minhas tarefas diárias extremamente desafiantes e empolgantes.", completa empolgada; isso vai causar inveja na maioria dos brasileiros que atuam na área.

Dicas para chegar lá

"Acredito no trabalho, digo trabalho mesmo, e bem feito, sempre acaba sendo reconhecido; também com a experiência prática, tudo fica mais fácil para o profissional da área, do que apenas, o conhecimento teórico.", reflete com sabedoria.

Para ela é fundamental trabalhar muito e se manter atualizado: "Uma ou duas horas por dia para navegar na internet e aprender sobre tecnologia. Tentar com isso sempre trazer novidades na área em que atua e fazer um trabalho excepcional; sempre pode ser melhor, um detalhe que pode ser corrigido, uma documentação que pode ser criada; trabalhar com muita qualidade.".

"Se não tens tempo para pesquisar no escritório, faça um pouco em casa e leve para o trabalho idéias, execute o seu trabalho com muita qualidade; se fores implementar um sistema, teste funcionalidades, documente, fale com as pessoas ao redor a respeito. Entre em grupos de discussões na internet, onde outros profissionais da área que também estão lidando com os mesmos assuntos, você ficará surpresa em quanto você pode aprender assim.", aconselha.

"Nem que não saiba tudo, ninguém realmente sabe tudo, você sabe do que está disponível e do que está por vir, na área de tecnologia, tudo muda muito rápido e não da pra parar.", destaca.

"Teste muito, instale, quebre as instalações e aplicações, é assim que aprenderas. Sempre ter ambientes de testes pra tudo, hoje com a facilidade da virtualização, fica muito mais fácil fazer seus conhecimentos práticos crescerem.", finaliza suas dicas com a voz da experiência.

A experiência de morar fora do Brasil

Denise tem orgulho de ser gaúcha: "Adoro chimas! Mas por motivo do esporte, mudei pra Florianópolis com 18 anos de idade, quando formada, em 1992, morei em Brasília por seis meses e em Porto Alegre, pra trabalhar, mas a minha base continuava sendo Florianópolis.".

Atualmente mora em Aliso Viejo na Califórnia, no condado de Orange County; em 1999 ela foi para os Estados Unidos passar seis meses e, bom, isso foi há dez anos.

Durante o projeto de instalação de uma das maiores empresas de telefonia celular em Porto Alegre, Denise conheceu muitos engenheiros estrangeiros que reconheceram seu trabalho e a encorajaram a procurar algumas oportunidades no exterior.

"Quando um deles falou que eu deveria trabalhar na Microsoft eu ri muito.", relembra com carinho as palavras do amigo Natee Sumethasorn, Engenheiro de Telefonia Celular, "Ele era usuário da rede que trabalhava e sempre me ajudou como um grande amigo e profissional. Somos amigos desde 1998 e hoje, quando possível, pois ele não mora perto, as nossas crianças brincam juntas, eles tem duas semanas de diferença de idade.", completa.

"Sempre gostei de viajar e me aventurei, decidi tentar! Resolvi largar um emprego ótimo, a família e passar seis meses na América, aprimorar o inglês na área profissional e alguns cursos que tinha interesse em fazer.", relata.

Quando Denise chegou aos Estados Unidos, a realidade não foi bem a esperada, "Bati a cabeça, recebi promessas falidas e houve muito desentendimentos, sobrevivi essa fase me dedicando ao estudo e interiorizando-me. Pensava, vou me especializar e voltar pro meu cantinho se essa terra não me tratar bem... Em menos de três meses de batalha, já estava encaminhada e organizada e fui ficando... Tive muito desapontamentos com pessoas que conhecia desde adolescente no Brasil e aqui estavam; muitas alegrias com as novas que conheci e entraram na minha vida. O ponto é que, quando a gente toma uma iniciativa dessas, tentar a vida em um lugar estranho, você tem de ser muito forte emocionalmente, ter reservas financeiras e acima de tudo, não contar com ninguém alem de você, além disso, tem de trabalhar muito.", desabafa emocionada.

"Muitas vezes desisti de estar aqui, e quando achei que já havia aprendido, conhecido e vivido o que queria, estava planejando voltar ao Brasil, conheci o Dylan, meu marido. Bem, ao menos isso é o que aconteceu comigo, nada na minha vida é muito fácil, mas com batalha.", confessa muito feliz.

Durante um dos cursos na UCLA (University of California, Los Angeles), um colega indicou para Denise, uma oportunidade de trabalhar com redes.

"Dito e feito, implementamos o projeto como estudantes e o cliente gostou e resolveu me contratar para meio-turno apenas, mas proporcionando o visto de trabalho que necessitava para poder trabalhar legalmente no País.", conta.

Seu visto de trabalho foi transferido de uma empresa para outra, e hoje, após o Green Card, Denise é Americana, vem ao Brasil de férias ou para realizar algum trabalho.

"Hoje já me sinto em casa aqui, a cultura é algo que você tem de observar e respeitar com muita cautela. Los Angeles tem gente do mundo todo, então não é só a cultura Americana que aprendi aqui, mas a Indiana, Filipina, Japonesa, Mexicana, Russa, entre várias. Adaptar a cultura é saber respeitar as pessoas. Como disse cada pessoa aqui vem de algum lugar, às vezes americanos são minorias, em grupos de trabalho.", comenta sorrindo.

"Tento ter a minha cultura brasileira no meio disso tudo, sem exagero e com cautela. Algo que não tem vez aqui, e imploro que os brasileiros pensem a respeito, é o jeitinho brasileiro. Aqui não existe jeitinho, as coisas são mais restritas e seguem as regras, as regras funcionam e quem aplica os jeitinhos não se da bem. Pra morar aqui, você segue as regras com respeito, a organização aqui é grande e as regras são infinitas, por piores que elas sejam as vezes… tem de sempre seguir as regras.", conclui com seriedade.

Sobre a presença da mulher no mercado de TI

Denise acredita que as mulheres estão presentes em todas as áreas, não só na TI, mas ela percebe que na área de redes e engenharia de sistemas, a presença feminina é menor: "Acredito que, desde que comecei a trabalhar, nunca vi uma mulher com acesso a sala dos servidores além de mim, inclusive atualmente, sou a única aqui que tem acesso. Mas sei que existem mais espalhadas pelo mundo.".

Em dezessete anos de carreira, sempre encontrou muitas mulheres como Developers, Analistas de Sistemas, Gerentes de Projetos, em sua área é diferente, "Sim, tem mais homens, mas está parelho. Novamente falando, sou a única entre cem pessoas que tem acesso à sala dos servidores de rede, pois acredito que esse nicho não está explorado pelas mulheres como área de desenvolvimento.", declara com um sorriso

Para ela, não existem mais homens do que mulheres na TI, e sim, em algumas áreas da tecnologia a atuação feminina é maior do que em outras.

Ela não acredita que a mulher desempenhe um papel especial dentro da área tecnológica, não vê diferença entre os sexos ao exercerem cargos; para Denise, a distinção está no tempo dedicado ao trabalho, seja em casa ou no âmbito profissional, "Quanto mais você se dedicar no trabalho, melhor você é.", menciona com tranquilidade.

Observa que mulheres-mães, não têm a mesma dedicação que homens, devido às atividades extras desempenhadas, como buscar as crianças na escola ou fazer o jantar, "Optei pela família e conciliei o trabalho que gosto, da melhor maneira possível, tentando equilibrar tudo, e tentando ser o melhor possível nos dois lados.", expressa com carinho.

Ela faz uma observação relevante: "O que pode ser uma diferença, a mulher que tem família, um dia vai ter de optar a área de atuação. Se a mulher tem filhos, não aconselho uma área técnica em produção, pois a mulher tem de estar disponível 24x7 (vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana); e se você tem filhos, não dá muito certo. Se você não quer atender ao telefone quando está colocando sua filha pra dormir ou no meio da festa de aniversário dela, pra atender problemas urgentes em servidores de produção, nesse ponto eu desencorajo a mulher que gosta da família e seguir essa carreira. Existem muitas outras áreas de TI, não necessariamente em produção, que não exige da mulher a disponibilidade de 24x7.".

Denise cita uma curiosidade que ocorre em empresas de alguns Países com cultura diferente da Americana ou Brasileira; onde a mulher, mesmo competente, não é aceita em cargos de comando, "Um fator a considerar quando aceitar um emprego é avaliar a empresa, procurar saber se tem mulheres em cargos altos, pra saber se não há esse tipo de tratamento.", salienta.

Competência, sorte ou "QI"?

"Não acredito no QI (quem indica), nunca vi isso na minha vida nem no Brasil nem aqui, mas acredito em referências! As referências são baseadas em bom trabalho feito, accomplishments! Acredito em trabalho duro e competente, assim como não acredito muito na sorte, acredito que se você é competente e faz um bom trabalho, as pessoas sabem e comentam e isso traz as referências pra quando as oportunidades aparecem. Se você trabalha bem, da um pouco mais do que é esperado de você e tem um bom relacionamento profissional com todos a redor, você só tem a ganhar.".

Feminismo X Machismo

Denise é absolutamente direta: "Não me afeta mesmo.".

Preconceito, Remuneração Diferenciada e Assédio

Nunca testemunhou preconceito contra mulheres nem sofreu discriminação e sobre diferenças salariais, ela não faz rodeios: "Acredito que isso seja ilegal. A maioria das empresas possui políticas de cargos e salários, eu não costumo perguntar qual o salário das pessoas, mas acredito que a mulher que ocupa o mesmo cargo que um homem tem o mesmo salário sem diferenças.".

Vida profissional X Vida Pessoal

Denise considera a correria do dia-a-dia cheia, mas não difícil, "Desde que aprendi que trabalhar com serviços em produção não da certo quando se é mãe, as coisas melhoraram bastante, e pra variar eu aprendo na prática. Quando larguei a disponibilidade ao trabalho de 24x7, automaticamente comecei a ganhar menos, mas como se diz aqui: priceless!", ou seja, é o preço da escolha.

Para ela, cada pessoa tem suas prioridades, a dela é a família em primeiro lugar. Dedica os finais de semana aos esportes com a família, em especial sua filha de cinco anos.

"Trabalho em casa durante a noite também, mas só depois que ela dormiu e se meu marido também estiver trabalhando no seu laptop (ele é iPhone Developer). Talvez você deveria fazer essa pergunta pra ele refletir.", ela pede sorrindo.

Denise afirma com segurança: "Com organização e planejamento não é difícil, mas duro e esquemático, muitas coisas tem hora pra começar e terminar, senão perde o controle e o rumo. Agenda e calendário, algo que minha filha já entendeu o conceito, e tem o controle dela… talvez seja um pouco paranóia, mas se não organizar, as coisas não acontecem, pois são muitas atividades profissionais e pessoais que necessitam de organização. Têm dias na semana que nossas atividades são incluídas no calendário compartilhado da família, sem o maridão, não faria tudo não!".

Ela trabalha cerca de nove horas no escritório, mais uma ou duas em casa, após às 22h; além das tarefas da casa como cozinhar, lavar roupas, molhar as plantas, passear com o cachorro e todas as outras atividades que toda mulher conhece bem.

Ela não se julga viciada em trabalho, adora o que faz, sente-se realizada e tem consciência que tem muito ainda para conquistar profissionalmente.

"Tenho uma paixão pelas tarefas feitas e pelos desafios. Gosto do meu tempo off também com muita paixão, se de férias, aproveito o máximo, mas fico ligada no que está acontecendo no trabalho a cada dois dias… se tenho quinze de ferias (coisa rara ultimamente) da saudades.", confessa.

"Sou casada com um maridão especial, ele trabalha na competição, desenvolve aplicações pra mobiles, iphone, android and etc. Trabalha com aplicações front-end e eu , desenvolve aplicações pra iPhone (Apple), e eu na Microsoft, mundos técnicos completamente opostos! Não conseguimos ter cinco minutos de conversa técnica sobre o trabalho, é como se fossem duas pessoas falando idiomas diferentes, o que é ótimo pois assim não falamos de trabalho. Ele é meu parceirão amado! O apoio e o suporte dele está, não apenas segurando a responsabilidade com a nossa filha, mas de apoiar meus projetos, acima de tudo respeitando as coisas que gosto.", declara com amor e emoção.

Para relaxar, ela gosta de correr ouvindo música, contemplar a natureza, aproveitar a Jacuzzi; pensa que é muito importante para cada um, como indivíduo, ter um tempo apenas para si.

"Adoro pegar onda de bodyboard. Desde ano passado comecei a correr também, já corri duas meias maratonas e estou inscrita para a terceira, pretendo correr uma inteira até o fim do ano. Viajar é a atividade preferida, mas de ferias de verdade.", fala.

"Só tenho satisfação quando todos estão equilibrados, a família vem sempre em primeiro lugar, mas o equilíbrio de ambos é a satisfação!", conclui.

Realizações e Desafios

Sonho realizado: "Trabalhar onde trabalho e ter a família que tenho; só não posso morrer em paz ainda, pois quero educar a minha filha e namorar muito meu marido. Já tive a minha empresa e não é o que queria, costumo realizar e lutar pra conseguir o que quero."

"Apesar de me sentir realizada, sempre temos de ter algo pra seguir buscando, sim existem alguns projetos que com o decorrer dos anos pretendo que sejam realizados, não dá pra viver sem projetos e objetivos.", enfatiza com sabedoria.

Para Denise, os melhores desafios são os que aparentemente são impossíveis, ela gosta de torná-los possíveis.

Planos e Perspectivas para o Futuro

"Efetivar meu contrato de trabalho, ter mais férias por ano pra viajar com a família. Curto prazo, passar em mais quatro provas do programa de certificação Microsoft, que começam em setembro.", confessa sorrindo.

Denise considera mais importante o aprendizado que a leva a conquistar as certificações do que os títulos recebidos; é evidente que ela valoriza cada certificado, sabe o quanto estudou e se esforçou para obtê-los, "Os títulos não são o mais importante, mas o que eu aprendo pra conquistá-los.", revela com emoção.

"Também estou a caminho de outro sonho, começo em 2010 a Faculdade de Educação Física, um sonho pessoal, não profissional; pra entender o corpo da gente, como exercitar de acordo, alimentação e também poder ser coach do marido e filha nos esportes.", menciona com alegre expectativa juvenil.

Mensagem para os leitores

"Acredito que já inclui acima, no trabalho testar tudo mesmo, instalar e aprender assim, use virtualização para testar e instalar, pesquisar sempre as novidades e fazer parte de fóruns de discussões de assuntos similares do que fazes no trabalho. Para quem vem pra America, nunca trabalhe ilegal, sempre tem uma empresa que pode te dar um visto de trabalho para começar a vida aqui da maneira correta, siga as regras. Respeito pelos colegas e fique longe de ti-ti-tis SEMPRE."

Sábias palavras de Denise, testar antes de implementar, cumprir regras, respeitar as pessoas e ficar longe de fofocas.

Um antigo filósofo aconselhava aos seus discípulos, que antes de contarem um fato, deviam verificar se ele passava pelas três peneiras da sabedoria: Verdade, Bondade e Necessidade.

Será que não evitaríamos desentendimentos desnecessários se isso ocorresse com maior frequência?


Muita Paz e muita Luz para todos.
Judith.

Algumas Fotos

Maya, a princesinha. O maridão e a filha amada. Os Pais de Denise. Companheiros até em baixo d'água.. Denise e Maya. Será que é a Ariel? Será que é a Ariel? Será que é a Ariel? A vida é bela! A vida tem muita classe! Maratona? Correndo muito! Valeu a corrida! Denise Fuchs-Beadle. Bodyboard? Praia, oba! Onde será esse postal? Casal romântico. A America Brasileirinha. Belo e tranquilo passeio. Mãe e filha. Sem comentários... Time Microsoft.

 



Copyright © Judith Riboni 2009